Não tenha grandes medos da Terra:
Só os medos extremos serão destruídos
(Laura Riding �Terra�)
Nacos e não
Nucas e nin
Cacos de mosaico
Outra língua lixa
A minha.
Mas além,
Extrema e não-dominada
A matéria flui,
Inevitável.
Ao represado fluxo desde a raiz
A seiva abre-se à Terra.
Do subterrãneo
A palavra transfigura
O Desejo
E supera o interdito.
Marília Kubotahttp://www.micropolis.blogspot.com/
"Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá"Me pergunto
Onde é que foi parar
A minha fé, a fé, a fé
Voltou pra casa a pé
E ainda não chegou
Espero na janela
Tento não me preocupar
Com ela
Mas a fé
Sabe como é que é?
Acredita em qualquer um
Tudo pra ela é comum
Tudo com ela é viável
E eu aqui um tanto instável
Meio no claro,
Meio no escuro
Enquanto procuro acreditar
Na leveza,Na cidade
Na beleza que me invade
Na bondade dos automóveis
Enquanto imóveis
Em suas garagens
Me pergunto
Onde é que foi parar
A minha fé, a fé, a fé
Nos tratados Nas palavras
Nos portões da tua casa
Nos transportes coletivos
Na pureza das torcidas
Gritando seus adjetivos
Me quebro
Tropeço no escuro
E ainda procuro
A minha fé
Minha Fé, Lucina e Zélia Duncan
O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -
sai para fora do coração
ardendo de pureza -
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contido
quando negado:
o peso é demasiado
deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.
Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.
ALLEN GINSBERG, Canção
Para escrever um único verso é preciso ter visto muitas cidades, homens e coisas. É necessário pensar em caminhos de regiões desconhecidas, em encontros inesperados, em despedidas, e ter-se recordado de muitas noites de amor onde nunca nenhuma se parece com a outra. Ter permanecido ao lado dos agonizantes e dos mortos. E tampouco basta ter recordações.É preciso saber esquecê-las e ter a paciência de esperar que voltem. Pois as lembranças mesmas não são apenas isto. E enquanto não se transformam em sangue, olhar, gesto, quando já não tem nome e não podem ser separadas do nosso próprio ser, aí então é possível que aconteça, em uma hora muito rara, se elevar do centro delas a primeira palavra de um verso.
Rainer Maria Rilke
No peitoril de todas as janelas
Há uma flor convalescente...
No céu desenha-se um pálido sorriso...
Só o teu nome , que estava quase desmaiado no meu peito,
Aviva-se em brasa como uma cicatriz!
( Aquarela de Após Chuva, Mario Quintana)

as flores são para
Avelino,
amigo querido
que fala com anjos