terça-feira, janeiro 23, 2007


O que se desatou num só momento
não cabe no infinito, e é fuga e vento.

(natureza morta )

dias
de fazer muito pouco
de nem precisar fazer

arrumo a cama
escrevo coisas

pinto

as unhas de vermelho
espero

a roupa secar
ente uma chuva e outra

desnho maçãs
sobre toalhas brancas

e caminho

na luz
amarela
do por do sol

uma semente engravidava a tarde

( fragmentos de Instante, de Carlos Drummond de Andrade)

sábado, janeiro 13, 2007




Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
e é como se agora este pobre, este único, este efêmero
instante do mundo estivesse pintado numa tela. -


Mário Quintana -

quarta-feira, janeiro 03, 2007





(Tarde)


Chuva vento
lixo civilizado e triste
correnteza abaixo

e os galhos partidos

e as mangas
muito verdes ainda

e o ninho

família inteira
correnteza abaixo

(O homem
cambaleante abandona
toldo e
copo
resgata
da enxurrada a família
de rolinhas
Na janela as
crianças
aplaudem
e esticam
para a chuva
cabeças e mãos
curiosas)

o temporal prossegue

a tarde escoa
correnteza abaixo