domingo, janeiro 29, 2006





se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra
eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse ...


(Se, Alice Ruiz)

sexta-feira, janeiro 27, 2006




No monitor a foto de Joana, flor no cabelo, olhos cobertos pela franja e a tentativa de não rir.
Mão no guidom e a camiseta que ela mesmo pintou, cena de domingo.
Joana não tem medo de cachorro bravo, de frio, de ruas vazias.
Acredita nela mesma, acredita em anjos até em mim Joana acredita.
Parecia pequena quando eu a trouxe para cá, enrolada em roupas de frio, perguntando se teria um quarto só para ela dessa vez e se teria que tser o menor da casa só porque ela é a mais nova.
Se as meninas aqui tinham cabelos lisos, se ela finalmente ia poder ter um cachorro.

Não teve medo, não pensou que podia não dar certo.

Chegando aqui cresceu , expandiu, brotou como planta tirada do vaso e plantada no chão.

Eu não.
Ando triste aqui, confusa, chorando a toa.
Talvez devesse imitar Joana e comprar uma bicicleta.
Ou quem sabe podar raizes como se faz com um bonsai.

Olho a foto de Joana e tento me lembrar que posso ser como ela.
Me ensina, vai, Joana!

(de arbustos e bonsais, Notas de Rodapé)




(rotina)

eu

você

e esse
cansaço
imenso que
nos torna
um

sexta-feira, janeiro 20, 2006




Rio de ladeiras
Civilização encruzilhada
Cada ribanceira é uma nação

A sua maneira
Com ladrão
Lavadeiras, honra, tradiçãoo
Fronteiras, munição pesada

Rio do lado sem beira
Cidadãos
Inteiramente loucos
Com carradas de razão

À sua maneira
De calção
Com bandeiras sem explicação
Carreiras de paixão danada

São Sebastião crivado
Nublai minha visão
Na noite da grande
Fogueira desvairada

Quero ver a Mangueira
Derradeira estação
Quero ouvir sua batucada, ai, ai
-
Estação Derradeira
Chico Buarque

porque continua lindo...sempre
Salve São Sebastião e salve os braços abertos do Cristo Redentor!

segunda-feira, janeiro 16, 2006




(mirante)

nada
entre o
olho e o
azul

des
ilusão:

sem
sombra
nem promessa

a vida
é o que é

domingo, janeiro 08, 2006




O dia é fora,
as estrelas.

O ar é um campo
-lá fora

A aurora
não pesa tanto
lá fora.

Juntos lutamos
e juntos ascendemos
num só remo,
num movimento de corpo
que leva a alma conosco.

Não temos outra bandeira
senão rodar para fora
da roda do calabouço
da funda roda do poço
que à liberdade prendia.

Não temos outro comando
senão subir para o dia.

Derrubada, O Poço do Calabouço
Carlos Nejar

sexta-feira, janeiro 06, 2006





Esses dias que as crianças ficaram aqui, todas, foram muito bons!
Confusão, barulho riso, choro, brincadeira. Vida!
Agora até o cachorro está quieto, desistiu de fazer bagunça.
Calma demais também cansa, acho que não nasci para sossego.
Tudo aqui é tão verde, sinto falta do cinza.
Enquanto as crianças e a inspiração não voltam, deixo uma foto dos meninos brincando de chuva

domingo, janeiro 01, 2006




1 - Exercite-se no prazer,
2 - Doe sempre e serás igualmente presenteado
3 - Liberte todos os sentidos
4 - Brinque com as medidas
5 - Encontre seu ritmo
6 - Aproveite o tempo e ele fica estático
7 - ensaie a coletividade, sinta seu EU.
8 - caminhe cheio de amor por gente e outras coisas.
9 - Não temas o desejo
10 - Tranforme-se numa obra de arte.


Gero von Randow

http://ubbibr.fotolog.com/moshe342/


( na foto o Júlio, que diz que liberdade é uma bicicleta e um caminho sem obstáculos)

Feliz 2006