quinta-feira, setembro 30, 2004




Auto-retrato 1 e 2

As palavras serão sempre poucas.
Não se engane.
Não é calma, é velocidade.
Voracidade por trás da placidez.
Também não existe precisão,
tudo é incerto.
Tudo verdade, tudo ilusão.

***
Olho todo dia o espelho.
Às vezes me reconheço,
às vezes não.
Como é mesmo esse rosto que tenho?
Quem você vê quando olha para mim?
Estaremos juntas, um dia, as três:
a que vê, a que é vista e essa outra
que é só reflexo.
Então, trocaremos de lugar...


Tenho muitas fotos aqui...sorridentes, ensolaradas...com certeza mais bonitas.
Amanhã quem sabe acordo vaidosa e troco a foto. Hoje só me reconheço nesta com olheiras.
Então...fico devendo o sorriso...e o sol!

Quem sabe segunda-feira...pra comemorar os 40?



segunda-feira, setembro 27, 2004



Selva

Montanhas e rios
já estavam lá.

As cidades são
os homens
e suas coisas
casas, carros.

A selva
reinventa-se
na luta diária
e as crianças
brincam
de caçar.

quinta-feira, setembro 23, 2004



Quarta-feira, Junho 30, 2004

O menino amuado.
O duplo, obrigatório
o único e o exato.
O trajeto, o alvo
a ponta da seta.
O figurado
metafórico
abstrato.
Os cinco
através dos quais
o mundo chega
e o sexto que
desafia o estrito.
O amplo.
O comando
e os que se perdem
se a cabeça por acaso
encontra a pedra.
Todos e nenhum!
Cem sentidos
sem sentido...ainda...




Presença

Rubem Braga, março de 1956

Um telefonema apenas cordial, a que atendo com naturalidade - mas por que, depois, esse indefinível tremor íntimo, essa remota noção de que representei uma cena sob o efeito do hipnotismo, esse indizível susto? Sou um homem tranqüilo, e minha vida está tranqüila; ouço essa voz, esse nome, e pronto! - começo a agir como se trabalhasse em um filme a que eu mesmo estivesse assistindo. Represento meu papel de maneira normal e faço o papel de um homem normal; mas há outro eu invisível que é aqualouco, patinador sobre o arco-íris, menino tonto, Hamlet, palerma, patético. Enquanto eu digo uma coisa sensata esse meu fantasma se entrega a um silencioso desvario, ou recita versos antigos, voa como um anjo, soluça. Posso contemplá-lo com frieza, criticá-lo, ter pena dele; evito que ele influa no mais mínimo em minha conduta real; quando ele tem um impulso de falar ao telefone eu me ponho tranqüilamente a descascar uma laranja ou fazer ponta em um lápis; e sem minhas mãos, sem meu corpo, ele não pode fazer nada. Resolvo ignorá-lo e chego a esquecê-lo durante semanas, meses; mas quando surge a Presença ele salta ao meu lado, sob uma luz sobrenatural, absurdo e infantil.

Não estou apaixonado; meu comércio sentimental com as outras criaturas corre normal, com suas alegrias e tristezas. Não estou apaixonado, mas posso ver a face da Paixão. E por um instante fico parado, mudo, como quem ouvisse, no fundo da noite, o sussurro das estrelas e o reconhecesse.

terça-feira, setembro 21, 2004

foto: scott mutter - sem título



Insônia

As luzes
se apagaram

O corpo
quer sono

Tiro
as roupas
e máscaras
com as quais
me reconheço
e protejo -

Há uma cama
larga segura
lençóis com cheiro
de amaciante
e perfume o ruído
monótono dos
segundos marcados
no relógio do criado-
mudo e a lua lá fora
na poça, na rua...

As luzes
se apagaram

Os olhos
sem sono

Abro
o chuveiro
a janela
a garrafa

Respiro
a noite
e encontro
você

segunda-feira, setembro 20, 2004





Quarta-feira, Junho 30, 2004

Esqueço sempre da sua fé nas palavras, no sentido exato, na precisão. Num mundo de idéias organizadas, onde as coisas são o que parecem e parecem o que são. Esqueço sempre, desculpa!

Não vou discutir, mas não posso explicar. Nem quero! Preciso de você, do seu mundo seguro, sinalizado. Do sim, do não, o errado e o certo. Possível e impossível. Despertador, manual de instruções, bula, pai, mãe, abraço, colo. Preciso, é sério!

Amanhã acordo igual, quase normal, te chamo para passear num parque, no risco controlado da montanha russa, para ouvir violinos no centro da cidade, para sentar na beira de um lago onde tudo é calmo. Calmo como aranha na teia, camaleão na pedra, garça de passo manso e bico afiado. O peixe grande e o pequeno.

Amanhã te mostro meus desenhos..hoje quero ouvir seus discos velhos.

sábado, setembro 18, 2004



"...para quem quer me seguir
eu quero mais
tenho o caminho do sempre quis
e um saveiro, pronto pra partir
invento o cais
e sei a vez
de me lançar..."
(Cais ,Milton e Ronaldo Bastos)

Parabéns irmãozinho!
Bons ventos sempre!



"Para vermos o azul, olhamos para o céu.
A Terra é azul para quem a olha do céu.
Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância?
Ou uma questão de grande nostalgia?
O inalcançável é sempre azul."

(Clarice Lispector)




Domingo, Junho 27, 2004

Girassol

Nem inquietações,
nem dramas pois,
para tudo isto,
estar vivo basta.
Nem desassossego, nem dores
ainda que uma certa fome ou sede
sejam imprescindíveis.
Apenas o vento,
essa luz de fim de tarde
e um improvável girassol
mal desenhado sobre a tela.



Acordei com o sol batendo nos olhos.

Tarde de domingo e a casa mergulhada num silêncio raro, gostoso.Levantei devagar, olhei o quarto das crianças, a sala , a cozinha...tudo quieto, arrumado, nada para fazer a não ser molhar um pouco as plantas. Respirei o silêncio, o sol , o céu azulzinho...

Delícia!Liguei o computador, sem som, pois nem música naquela hora eu queria, só o silêncio e o sol batendo na varanda. A janelinha do ICQ não demora começou a piscar, dois amigos me pergutando quase a mesma coisa, se eu não tinha visto o sol, se eu não iria à praia. Contei a eles do silêncio , do não ter o que fazer, momento raro, imperdível. Um deles, aqui do Rio mesmo, quase vizinho, me contou que também estava ouvindo o silêncio, mas o silêncio dele era feito de pequenos e bons ruídos, os passos de alguém, o chuveiro, o som de panelas e xícaras na cozinha, a água correndo na torneira...para quem estava há algum tempo sozinho, melhor que música. O outro me falou que estava em silêncio também, mas um silêncio diferente, às avessas. Estava indo embora, tinha vindo pegar o resto de suas coisas, aproveitava a casa vazia para ouvir bem alto as músicas que a mulher, ex, não gostava . É silêncio também, ele falou, mas é por dentro..e também é bom.

Cada um com seu silêncio, com a sua paz...até que essa tarde foi boa!

quinta-feira, setembro 16, 2004




Breve Introdução ao Estudo do Ciclo Seco
caio fernando abreu

Todo mundo conhece ciclo seco, a maioria até já passou por ele. Alguns mesmo vivem desde sempre dentro dele, achando que isso é vida e eternizando o que, por ser ciclo, deveria também ser transitório. É preciso acreditar que passa, embora quando dentro dele seja difícil e quase impossível acreditar não só nisso, mas em qualquer outra coisa.

Não que ciclo seco não tenha fé, o que acontece é que não podendo ver o que não é visível, fica limitado ao real.

Antes de ir em frente, é importante dizer que ciclo seco nada tem a ver com as estações do ano. É coisa de dentro do humano, não de fora, e justamente por isso não tem nenhum método: vem quando não é esperado e vai quando não se suspeita.

Ciclo seco não desaba de repente sobre alguém; chega aos poucos, insidioso, lento. Quando se percebe que se instalou, geralmente é tarde demais. Já está ali. É preciso atravessá-lo como a um deserto, quando se está no meio e a água acabou.

Por ser limitado ao real, o ciclo seco jamais considera a possibilidade de um oásis ou de uma caravana passando. Secamente, apenas vai em frente.

Porque o real do ciclo seco são ações, não pensamentos nem imaginações. Tanto que, visto de fora, não é visível nem identificável. Não se confunde com "depressão", quando você deixa de fazer o que devia, ou com "euforia", quando você faz em excesso o que não devia.

Em ciclo seco faz-se exatamente o que se deve , desde escovar os dentes de manhã ou beber uísque à tardinha, mas sem prazer. Nem desprazer: Em ciclo seco apenas se age, sem adjetivos.

À propósito, ciclo seco não se admite adjetivos – seco é apenas a maneira inexata de chamá-lo para que, dando-lhe um nome, didaticamente se possa falar nele.

E deve-se falar dele? Quero supor entusiástico que sim, mas não tenho certeza se dar nome aos bois terá alguma serventia para o dono dos bois ou sequer para os próprios bois – e essa é uma reflexão típica do ciclo seco. Mas vamos dizer que sim, caso contrário paro de escrever já.

E falando-se dele, diga-se ainda que ciclo seco não é bom nem mau, feio ou bonito, inteligente ou burro – nem a Alice de Woody Allen, nem Bette Davis em algum filme antigo, nem o Homem Elefante nem um dos irmãos Baldwin, nem Gertrude Stein nem Romário - , embora possa dar a impressão errada a quem o vê de fora, ávido por adjetivar.

Ciclo seco, por exemplo, não se interessa por nada. Pior que não ter o que dizer, ciclo seco não tem o que ouvir, compreende? Fica na mais completa indiferença seja ao terremoto no Japão ou à demissão de Vera Fischer. No plano pessoal, tanto faz ler ou não ler um livro, ir ou não ao cinema – ciclo seco é incapaz de se distrair, de se evadir. Fica voltado para dentro o tempo todo, atento a quê é um mistério, pois que pode um ciclo seco observar de si mesmo além da própria secura, se não há sequer temporais, ventanias, chuvaradas?

Nesse sentido, ciclo seco é forte, porque nada vindo de fora o abala, e imutável, porque de dentro nada vem que o modifique. E nesse sentido também é antinatural, pois tudo se transforma e ele não, simulando o eterno em sua digamos, i-na-ba-la-bi-li-da-de.

E sendo assim, com alívio vou quase concluindo, pode se deduzir que.Não, não se pode deduzir nada. Só que passa, por ser ciclo, e por ser da natureza dos ciclos passar. Até lá, recomenda-se fazer modestamente o que se tem a fazer com o máximo de disciplina e ordem, sem querer novidades.

Chatíssimo bem sei. Mas ciclo seco é assim mesmo.Todo mundo tem os seus, é preciso paciência. E contemplá-lo distante como se se estivesse fora dele, e fazer de conta que não está ali pra que, despeitado, vá-se logo embora e nos deixe em paz? Eu francamente não sei. Ainda mais francamente, nem sinto muito.


O Estado de S. Paulo, 22/01/95(ABREU, Caio Fernando. Pequenas Epifanias, crônicas (1986/1995). Sulinas: Porto Alegre, 1996, 192 p.)

terça-feira, setembro 14, 2004



Quarta-feira, Junho 23, 2004

"Sem música sou meio assim...uma espécie de desabrigado.
Para escapar do silêncio eu fiz um rádio de pedra,
pra ouvir a música da minha cabeça, que é dura feito pedra..."
Hoje acordei triste e não encontro jeito de melhorar.
Vou dar sossego às plantas, não há mais galhos a podar.
Primeiro abaixo o som, depois desligo.
Hoje não estou a fim de música.
Lembro do papo do maluco, o rapaz do rádio de pedra.
Minha cabeça não sintoniza nada, hoje amanheci pedra.



...onde pisas no chão
minha alma salta
e ganha liberdade
na amplidão...

(O Quereres, Caetano Veloso)

domingo, setembro 12, 2004




Alvorada


A manhã silenciosa e fria não tem cara de dia nenhum: sábado, domingo, segunda ou sexta, os dias sempre começam iguais. A cidade imensa é ainda uma vila tímida recendendo a sonho e preguiça. Tudo vai se alongando aos poucos, em movimentos lentos e vacilantes: a luz, as nuvens, os músculos embaixo das cobertas. Passarinhos e despertadores misturam-se, longínquos, ao rumor oceânico dos carros e o cheiro do café e do pão aconchegam-se no ar, imprescindíveis.

O animal desperto acostuma-se à novidade das coisas renascentes, ainda descoladas de seus nomes. As palavras virão depois, para rearticular a rude máquina de produzir ilusão e história. Logo serei Antonio, Antonio Caetano, ente provisório que envelhece, definido por números diversos: idade, peso, altura, endereço, telefone, cpf, identidade, conta em banco, horários e prazos.

Antes, usufruo desta íntima comunhão com o mundo, sem nostalgia ou prévia melancolia: quando chegar a hora, estarei pronto. Só a minha fé ficará aqui, entre as coisas mudas da alvorada.

Todo dia o mundo amanhece novo. A vida é seu único sentido e em si mesmo o mundo se basta. Nisto se resume toda sabedoria. Mas, dito assim, é fórmula que logo se esquece. É preciso senti-lo com o corpo todo (que é quando a alma existe). A esta hora, é mais fácil.

Talvez o leitor se surpreenda, mas é mais fácil também quando o dinheiro nos falta e é preciso reduzir o consumo ao mínimo. É uma satisfação descobrir que se pode viver sem o que antes se julgava necessário. O que parecia humilhante - ter de renunciar, mesmo que temporariamente, ao que se supunha a recompensa pelo trabalho - acaba por mostrar que humilhante era a condição anterior, de escravo de hábitos compensatórios. Quanto menos se tem, mais livre se é. Nossos senhores não sabem o risco que correm ao nos acostumar com a pobreza

Antônio Caetano

Outras crônicas,links etc :
www.cafeimpresso.com.br

sexta-feira, setembro 10, 2004



Quarta-feira, Junho 23, 2004

Janela aberta para a noite fria e clara.
Lá fora, o quase silêncio dos sons indefinidos
e a lua crescente, pequeno sorriso iluminado.
Não vejo o mar, não ouço o barulho das ondas
nem sinto o gosto do sal,
ainda assim me afogo.
Fecho os olhos.
Abro janelas em muros, janelas em muros,
janelas em muros...enfim é dia.
O sol brilha aqui também!



A foto, linda, é do Manu Coelho. Adoro essa foto!

Tem mais lá:

http://www.fotolog.net/manucoelho/

http://www.fotolog.net/manucostacoelho

quinta-feira, setembro 09, 2004




porque
todo domingo
de sol
descubro que meu nome
é sábado
e sou feito de nacos de noite
e de sombras de estrelas
que ainda não me pousaram
no umbigo sedento.

Nel Meirelles

www.falapoetica.blogger.com.br


Obrigada Nel!!

"...teus ombros suportam o mundoe ele não pesa mais que a mão de uma criança "
c.d.a


Não
me chames
de anjo:
até este
alado- rótulo
me pesa.

Asas de
beija-flor
eficientes
invisíveis
asas de
borboleta
coloridas
insensatas
ultra -leves-
asas-delta:
definitivamente
não as tenho.

Mas tenho
pernas braços
ombros
e um coração-
labirinto:
insondável
mas aberto.


quarta-feira, setembro 08, 2004




A cidade de Sofrônia é composta de duas meias cidades. Na primeira, encontra-se a grande montanha-russa de ladeiras vertiginosas, o carrossel de raios formados por correntes, a roda-gigante com cabinas giratórias, o globo da morte com motociclistas de cabeça para baixo, a cúpula do circo com os trapézios amarrados no meio. A segunda meia cidade é de pedra e mármore e cimento, com o banco, as fábricas, os palácios, o matadouro, a escola e todo o resto. Uma das meia cidades é fixa, a outra é provisória e, quando termina a sua temporada, é desparafusada, desmontada e levada embora, transferida para os terrenos baldios de outra meia cidade.

Assim, todos os anos chega o dia em que os pedreiros destacam os frontões de mármore, desmoronam os muros de pedra, os pilares de cimento, desmontam o ministério, o munumento, as docas, a refinaria de petróleo, o hospital, carregam os guinchos para seguir de praça em praça o itinerário de todos os anos. Permanece a meia Sofrônia dos tiros-ao-alvo e dos carrosséis, com o grito suspenso do trenzinho da montanha-russa de ponta-cabeça, e começa-se a contar quantos meses, quantos dias se deverão esperar até que a caravana retorne e a vida inteira recomece.

do livro "As Cidades Invisíveis", de Ítalo Calvino

terça-feira, setembro 07, 2004




Que importa que uns falem mole descansado
Que os cariocas arranhem os erres na garganta
Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais?
Que tem em si o quinhentos -réis meridional
Vira cinco tostões do Rio pro Norte?
Juntos formamos este assombro de miséria e grandezas,
Brasil, nome de vegetal!...

(Mário de Andrade, trecho de Noturno de Belo Horizonte)


domingo, setembro 05, 2004




Porque
um domingo
de sol
dispensa
qualquer tentativa -
outra -
de poesia

sábado, setembro 04, 2004



Cancioneiro

Num canto da folha,
Canto
Um canto mudo-

Mudo de saudades...

Um canto mudo
Canto
Num canto da folha.

(Ricardo Almeida, Em Terra de Cego, 1989)

Quero-Quero

Quero-te agora mesmo impossível
Quero-te sempre e ainda mais

Quero-te louca vida bandida
Quero-te sempre, quero-te mais

Quero da vida toda a medida
Quero do fim, nova partida

Quero do povo um pouco de ação
Quero uma rosa, quero um limão

Quero da vida o que a vida quer
Quero do fogo a minha mulher

Quero de novo a alma inquieta
Quero-te sempre rompendo correntes

Quero dos sonhos aquele mais belo
Quero uma foice, quero um martelo

Quero um sorriso que não seja amarelo
Quero poder tentar outra vez

Quero-te agora mesmo impossível
Quero-te sempre e ainda mais

Quero-te louca vida bandida
Quero-te sempre, quero-te mais

(Ricardo Almeida, Poesia Residual)


Tem mais lá:
http://www.poesiaresidual.blogspot.com/





Enigma 1, 2 e 3

Uma hora me acho bem, na outra não.
Procuro meu rosto em todos os possíveis espelhos.
Num minuto sou bonita, no outro não.
O coração aperta, salta, dança...
às vezes feliz ,às vezes não.

Não é meu, nem teu , nem dele.
Resolveu brincar comigo,propor um enigma.
Me pergunta se tenho coragem
eu digo: não sei.
Ah...sujeitinho impertinente esse tal de Amor!

Nosso amor tem a arquitetura delicada
das teias de aranha.
Saberemos agora deslizar pelos fios?



Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, setembro 03, 2004




"Eu gosto
é de olhar seus olhos
espalhados na tarde
em busca de miragens,
de luzes coloridas
que desciam do céu..."

(Alceu Valença , Molhado de Suor)

quarta-feira, setembro 01, 2004



"...a lição sabemos de cor
só nos resta aprender..."

(Sol de Primavera, Beto Guedes)